terça-feira, 16 de outubro de 2007

Sartre e Pascal

Nascemos com iguais probabilidades de sermos criminosos. Ainda assim, apenas alguns decidem enveredar por esse caminho. Todos nascemos sem alma, ou melhor, sem essência. É ao longo da vida, consoante o que fazemos e pensamos, que vamos criando a nossa essência... que nunca fica completa.
A vida pode então ser vista como um projecto, não pode ser mais que um projecto, pois nunca está totalmente terminado...Há sempre algo mais. Aliás, se não houvesse, não teria sentido continuar.
Uns acreditam que quem não acredita em alguém superior é livre, pode fazer tudo o que bem desejar, pois se não existe um ser todo poderoso, não há ninguém que dite o destino. Mas ninguém é totalmente livre, há condições que nos são impostas naturalmente.
O Homem é um ser em situação, é livre de fazer o que bem entender dentro das condições que lhe são impostas. No fundo é como um jogo de cartas em que o mérito está em saber jogar bem com o jogo que se tem em mãos, e não em ter um bom jogo.
Mas quem dá as cartas?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Descolando


Agora, há que soltar as peças que não fazem parte dos alicerces… Podem ser todas coloridas, disfarçadas de essenciais, mas isso elas não são. Quando foram criadas faziam falta, mas agora ocupam espaço, espaço que é precioso, ocultando a parte sólida. É preciso progredir na construção!
Descolamos então os autocolantes coloridos que ocultam o essencial, e expomos a nu a parte tosca. Alguns estão tão colados que quase se confundem com o essencial. Alguns não dá para descolar…
Mas vamos continuando a descolar, tentando combater essas películas aparentemente belas, mas que sufocam o essencial.
Uma parte do essencial continua sem marcas, em bruto… A essa parte vai se juntando as partes recentemente descoladas, e vai finalmente começando a surgir seguimento na construção!
Porém há peças que continuam ocultas em grossas camadas de autocolantes.

Nada

Não estou triste
Não estou feliz
Não estou magoada
Nem me dói nada.
Não estou bem
Nem estou mal
Não estou nada
Não sou nada…
Não sinto nada,
Mas sinto tudo
Estou tão farta de
Estar farta de
Tudo e nada
Que já não sei
O que sinto
O que penso
O que pareço
Ou o que sou.
Só sei que nada,
Zero, vazio, oco são
As melhores palavras
Que arranjei para
Definir o coração;
O meu coração
Que não é de pedra
Pois sente tudo e
Nada ao mesmo tempo.
O que é então?
Não sei, provavelmente
NADA é o que terei
No lugar do coração.


Primavera de 2004

Quando o urso aparece


O tempo é uma realidade que pode ser apercebida de infinitas formas... E enquanto algumas vezes um dia passa a correr e não há tempo para nada, outras parece que cada segundo contem mais tempo do que uma vida. E é nesses segundos eternos que nasce muita coisa material e imaterial. Alguns desses segundos são flutuantes e irradiantes e contagiantes, outros são escorregadios, moles, escuros, asfixiantes...

Aqui, nestas unidades de tempo vazias de mais, surge o urso tédio...