terça-feira, 6 de maio de 2008

No lado de cá

Eu sou o que eu sou. Sou o que quero ser, e o que me deixo ser, e não quero ser só mais uma parte de um todo, não quero ser só o que o todo espera da minha parte. Vou ser o que sou porque estou cá, no todo, mas estou comigo.
Eu nunca estou sozinho porque estou comigo. Sou a única pessoa que eu sei que nunca vou abandonar. E por muito que eu tente ignorar-me, acabo sempre por voltar a ouvir-me.
Eu sou eu, não sou mais ninguém, e mais ninguém é eu.
Não tenho medo de mim, do que eu possa fazer, do que possa vir acontecer entre mim e eu. Sei que posso sempre contar comigo, mesmo quando pensar que ninguém me pode ajudar, mesmo quando não houver nada a fazer, eu vou lá estar. Por muito que eu goste das outras pessoas, por muito ou pouco que elas gostem de mim, elas não são eu e não gostam de mim tanto quanto eu.
Por muito tempo que passe com alguém, por tantas e tantas experiências, horas e pensamentos que partilhemos, por muito que me compreendam, e compreendem, e consigam pôr-se no meu lugar, por muito que se sintam como eu, não sentem como eu. Não vão nunca sentir como o lado de cá, porque simplesmente não estão no lado de cá.

Eu sou um barco à deriva no oceano, conto com o vento e as correntes que me arrastam. Quando o vento parar, sigo pela corrente. Quando a corrente acabar, busco cá dentro os remos que trago sempre, e sigo…Sigo até onde me deixar ir, mas sigo.