terça-feira, 14 de outubro de 2008

Introspecção

De tanto ponderar as palavras, acabo por calá-las
De tanto projectar o meu comportamento de acordo com a situação, acabo por não me mexer
De tanto ouvir as conversas, acabo por não as escutar
De tanto analisar de todas as perspectivas, acabo com uma dor de cabeça
De tanto pensar em soluções para problemas, acabo por encontrar ainda mais problemas
De tanto procurar o que fazer da vida, acabo por não aproveitar nada do dia
De tanto tentar evitar os erros, acabo a tropeçar neles
De tanto querer certezas, acabo nas dúvidas

E no fim de isto tudo
De tanto me procurar, acabo sozinha


Hoje vou desligar a luz
Há buracos no caminho? Hoje vamos a direito!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sagarmatha

Vão haver sempre altos e baixos, mas não me importa ter de praticamente viver nos vales escuros, se pelo menos de quando em quando possa subir ao cume da montanha.



Íngreme e tortuoso
O caminho para o cume.
Mas tem de ser feito
Para daqui sair;
Do vale tenebroso.
Primeiro uma mão
Depois a outra
Puxando para subir,
Sempre cauteloso…
Empurrando a rocha para o chão,
Vai saindo o vale.
Sente o ar mais frio
Mais vivo, mais ar.
Custou o primeiro puxão
Mas ficou já bem para trás.
O corpo dolorido
Entra no modo automático
E vai adormecendo a dor.
A subida sofrida
Parece agora surreal;
Na fronteira entre o possível
E o impossível,
O cume está desfocado
Não se percebe…
Mas as mãos continuam
Quase que involuntariamente
Puxão após puxão
Levam para cima o corpo
De mente ausente.
Até que…
Acontece por fim
O fim da rocha
O fim da subida
O fim das duvidas
O fim das dores
O início dos sabores.
No cimo do cume,
Estamos no cimo do cume!
Se ousar olhar para baixo
Apenas vejo sombras
Envoltas na neblina e escuridão.
Não olho para baixo,
Pois sei que breve é o momento
E a descida se acerca…