terça-feira, 18 de março de 2008

Mais um degrau?


Ninguém disse que era fácil. Ninguém disse que era simples. Mas com o passar do tempo, com a prática, deveria tornar-se mais fácil, mais que não fosse por ser mais comum. Mas não é, não é mais fácil, pelo contrário, é cada vez mais difícil… À medida que a nossa percepção das coisas vai aumentando, ou antes, vai se distanciando, englobando novos ângulos e perspectivas, vai sendo cada vez mais difícil, tomar decisões, agir. É como uma queda. Vamos avançando em idade e vamos deixando de cair com a mesma frequência, e já não temos permanentemente as pernas com manchas negras ou os braços esfolados. Vamos caindo menos, porque vamos aprendendo a evitar… Mas há sempre um descuido, mais cedo ou mais tarde voltamos a cair, e quando acontecer o embate será mais forte e as consequências serão bem mais sérias e o nosso tempo e capacidade de reacção será mais reduzido, pois a próxima queda é sempre imprevista.
Vejo hoje, mais do que via ontem, e por isso julgo possuir mais conhecimento do que possuía ontem, e estar mais preparada do que estava ontem, mas não sei se estou… De quando em quando sou surpreendida por estas escorregadelas e nem sempre consigo manter o meio eixo, por vezes caio e magoo-me. E sempre que me magoo, é mais do que da última vez, é como se fosse a primeira vez, e dá-me vontade de chorar.
Estou hoje mais alta do que estava ontem, vejo mais e por isso posso mais do que ontem, mas nem sempre quero poder mais e ver mais… Daqui consigo ver o próximo degrau da escada, mas não o vejo, porque não quero. Não quero porque ainda não sei se quero avançar até lá e ver o seguinte. Este onde estou é amplo, e está já bastante alto (é mais alto que o de ontem)
Estou hoje indecisa (talvez com dúvidas semelhantes às de ontem). Não sei se deva olhar para cima e procurar o degrau seguinte, sei que quando o vir vou ter vontade de subir para lá e ao mesmo tempo vou ter medo de o fazer, porque é difícil e às vezes caio. E quando caio, por vezes tenho de recomeçar tudo de novo, e aí estremeço vacilante, pois é quando começa o “não sou capaz”. Sei que tenho o corrimão, e ele está sempre aqui desde o primeiro degrau, mas não sei se está lá em cima até ao último. Ainda falta muito para o último...Acho eu, mas não sei, daqui não dá para ver mais que apenas o próximo.